03 Jul

Se você digitar a palavra “favela” no Google, será bombardeado com termos como “barraco”, “pobreza”, “uma área urbana informal de baixa renda no Brasil” etc. Portanto, não é surpreendente que as favelas sejam associadas à pobreza, crime e violência. No entanto, neste artigo, espero mostrar que há muito mais nas favelas do Rio de Janeiro do que aquilo que vemos.

Na verdade, a mera existência de favelas no Brasil é um legado do tráfico de escravos. Durante esse período, o Brasil transportou mais africanos através do oceano Atlântico do que qualquer outro país do mundo; 4,9 milhões de escravos da África foram trazidos para o Brasil durante o período de 1501 a 1866.

Quando a escravidão foi finalmente abolida em 1888, embora livres, esses ex-escravos continuaram a ter direitos civis desiguais. Esses direitos desiguais teriam contribuído para sua instabilidade econômica, levando-os a construir comunidades próprias – as favelas. As favelas foram caracterizadas por sua desregulamentação; foram construídas sem qualquer tipo de autoridade, sem permissão de construção, sem burocracia – as favelas eram completamente descontroladas pelo governo brasileiro. Mas, aqui está alguma coisa para pensar … Talvez essa completa falta de autoridade governamental tenha sido e seja a principal força por trás da cultura de criatividade e desenvoltura das favelas brasileiras, bem como da anarquia e da disfunção.

favelas of rio de janeiro 2Portanto, não apenas as favelas do Rio de Janeiro representam áreas da cidade que carecem de serviços básicos do estado e são habitadas por pessoas que não apenas carecem de dinheiro, mas que trabalham muito e têm muita luta em suas vidas. As favelas do Rio de Janeiro também representam áreas da cidade que, apesar dessas deficiências, são um centro indiscutível de sua própria cultura e empreendimento.

Por exemplo, na Rocinha, uma das maiores favelas do Rio de Janeiro (pode-se considerar uma cidade dentro de uma cidade), há bancos, restaurantes, salões de beleza, pet-shops – tudo o que você pode precisar. O que o povo criou apenas na Rocinha é incrível, e essa desenvoltura espontânea não é incomum em todas as favelas do Rio de Janeiro.

Da mesma forma, no Vidigal, outra favelas do Rio de Janeiro que tem sido associada ao crime organizado, especificamente a gangue ADA (Amigos dos Amigos), é mais um exemplo da “criatividade e desenvoltura” entre “anarquia e disfunção” da vida na favela.

O parque ecológico “Sitiê” foi criado a partir do que já foi um lixão de 25 anos de idade, que sufocou o morro do Vidigal com lixo. Não havia ajuda governamental oferecida para o projeto, a permissão de construção não foi sequer solicitada – nas favelas, isso não era necessário.

Foram necessários oito anos de esforços comunitários para limpar o Sitiê e torná-lo o que é hoje; um lembrete inspirador da ingenuidade que paira nas favelas do Rio de Janeiro.

Hoje, as favelas do Rio de Janeiro não são apenas habitadas por descendentes de escravos africanos, mas também por migrantes brasileiros das áreas rurais do país, muitas vezes procurando trabalho na cidade. No entanto, o Rio de Janeiro é uma das cidades mais caras da América Latina, e levando em conta que o salário mínimo no Brasil é de 979 reais por mês, muitas pessoas não têm outra opção senão se instalar nas favelas.

Em conclusão, é importante lembrar que os ocupantes dessas comunidades, as favelas do Rio de Janeiro, são como qualquer outra pessoa; apenas tentando sobreviver em um mundo cada vez mais caótico, com suas esperanças e sonhos.



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